Carlins, carlins, queres jogar?

Quando o meu filho me enviou um SMS a dizer que tinham feito um jogo deveras aterrador no intervalo, eu perguntei O quê, a tabuada? Eu cá tinha medo. Contudo não foi, isso não lembrava nem ao Diabo. Sim… agora é que estamos a chegar lá: semelhante aos quadros ouija, a brincadeira reside em invocar um demónio mexicano chamado Charlie. Não bastavam já os que temos cá, como primeiro-ministro e o presidente da república – entre outros – é preciso ainda convocar mais um?

 

Ao que parece não chegava, pois este jogo tem sido foco de grande entretenimento ultimamente.

Vamos saber como se joga o Charlie Challenge, caso queiram uma companhia extra aí em casa. Onde comem 4, comem 5, não é assim que diz o provérbio?

Vamos precisar de uma folha e 2 lápis. Desenhamos uma cruz, escrevemos sim e não nos cantos (como ilustrado na figura), e alinhamos os lápis em cima das linhas, um em cima do outro. Agora devemos perguntar à entidade notavelmente satânica se quer jogar, porque isso de ser assombração com tanta gente para atormentar dá que fazer. Charlie, Charlie, do you want to play?

(A minha fonte insiste que a questão deve ser feita em inglês, imagino que o Charlie ainda não tenha tido tempo de aprender outras línguas na sua vida Post-mortem.) E esperamos.

Aqui nesta parte eu tive de esperar mais do que o habitual, provavelmente porque falo baixo. Ou talvez o Carlins estivesse ocupado.

Se o Charlie quiser brincar connosco, o lápis move-se para o sim. Caso contrário, move-se para o não. Ou é boi ou é vaca, evidentemente.

A julgar pelas reações globais a este fenómeno físico – ressalvo: físico -, aparentemente esse movimento patenteia a prova da existência dessa alma de outro mundo, morto não se sabe há quanto tempo, nem sabe se de facto existiu.

De imediato, vou explicar o que é que se passa a sério. O lápis de cima está confinado a um pequeno ponto de equilíbrio instável. Tendo em conta essa sua posição precária, e considerando um aspeto conhecido de todos nós que é a gravidade, é natural que baste uma ligeira agitação no ar em seu redor, ou um sopro para fazer o lápis rodar ou até cair. E é isso mesmo que ocorre: é o sopro que conduz à rotação fantasmagórica do lápis, tudo causado por… Pela gravidade. Não, não é como o Interstellar, no qual o pai lá ia ao passado, disfarçava-se de força gravítica e atirava os livros para o chão. Não. É mesmo só a gravidade.

Ditam as regras que temos de invocar Charlie duas vezes. E perguntar se quer brincadeira. Façam a experiência: ponham a mão à frente da boca e sintam o sopro decorrente da articulação das vogais que proferiram, as quais transportam o ar. Sentiram? Pois é. Ou o Charlie está nos vossos pulmões, ou é apenas isto.

Se fumarem coisas muito estranhas, é possível que esteja mesmo lá o demónio…

Apesar de já estar o indesvendável caso com clareza e simplicidade explicado, há pessoas que cedem constantemente às narrações mais folclóricas e rebuscadas, como fantasmas, vampiros, o diabo a quatro. I wouldn’t have seen it, if I hadn’t believed it, contestaria com razão Marshall McLuhan.

Pessoalmente, acho estranho que um fantasminha brincalhão do México se chame Charlie. Têm a certeza de que não é Julio, ou Lopez? Ou Papi talvez.

Charlie

 

Se for Papi, explica muita coisa. Tenho ouvido algumas cantoras a proferir esse nome nos seus hits, acho que querem brincadeira…

2 comentários Adicione o seu

  1. Antero diz:

    Um fantasma destes realmente tinha dado muito jeito há uns anos atrás, em tempos de escola.
    Charlie, qual é a opção correta?
    A)
    B)
    C)

    Tinha sido uma alegria!

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Ai se dava jeito 😉

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