O golpe

A sociedade andava a comer-se a si mesma. Algum género de maçonaria bizarra e canibal, nada secreta e muito menos fraterna ou filantrópica, a não ser que se encarasse os empreendimentos dessa sociedade como masturbação (…).

O xaile de Ágata Drusa

Corri. Sempre. Subjugando-me à maior velocidade de que fui capaz. Tropecei, galhos invasivos e indecorosos intentavam barrar-me a trajetória, arranhando-me a face, os braços, o colo ao fazê-lo. Caí. Afundava-me em depressões enlameadas e rastejava alienadamente até delas me libertar. O sangue fluía pelos meus arranhões e feridas com uma assiduidade irreprimível. Decerto que esse seu dedicado fluir demarcaria a minha passagem por ali, acusando a minha fuga e revelando o meu destino.

O conto da bicicleta

O que mais poderia querer um rapaz de dez anos naquele tempo que já foi há tanto tempo? Mais nada, a bicicleta refletia tudo para nós. No entanto eu não tinha nenhuma.

Indelevelmente

Vamos os dois em silêncio – sem necessidade de o preencher, de o perturbar, sem mais precisar. Tu não gostas muito de falar, e eu nada quero ouvir. Temo-nos a nós e ao momento e isso parece bastar. Não tenho de fabricar conversa de ocasião, polvilhada de lugares-comuns entediantes, basta-me andar e sentir na minha mão a tua a roçagar.

A maldita zona de conforto

Não gostos de jeans. Tens de sair da tua zona de conforto. Gosto mais de laranja que banana. Tens de sair da tua zona de conforto.

Os Sapatinhos Verdes

Mas Pepe não desanimou e caminhava para chegar a casa, a tempo de resolver um problema relacionado com o seu negócio. Negócio? Pobre Pepe…

Carlins, carlins, queres jogar?

Não bastavam já os demónios que temos cá, como primeiro-ministro e o presidente da república – entre outros – é preciso ainda invocar mais um?