Mineração de asteroides – recursos da aldeia planetária

 

Os recursos sempre estiveram diretamente relacionados com a capacidade de sobrevivência humana, ou mesmo animal. Na pré-história, os recursos alimentares de uma tribo determinavam o sucesso desta sobre as restantes, não se tratava apenas de lutar pelo território, mas por um território rico. Por conseguinte desde cedo os Homens têm travado batalhas entre si por um cada vez maior e melhor acesso a essas fontes – é a recorrente guerra do Quem tem mais, que tanto abrange grandes fatias de terra com recursos de grande impacto económico (e desastrosos impactos humanos e ambientais), como também abarca querelas comezinhas do Quem veste melhor ou Quem tem o melhor Ipad. Ou lá que aparelho for.

 

As guerras

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Com o avançar das eras, a raça humana continuou embrenhada na luta pelos recursos, sendo agora os principais os derivados energéticos e tecnológicos, nos quais se incluem – sobretudo – o petróleo e gás, bem como os metais e minerais raros necessários à construção e desenvolvimento das mais diversas plataformas tecnológicas existentes atualmente.

Tomemos como exemplo a construção das ilhas artificiais no Mar da China (por parte do país com o mesmo nome), a qual incitou disputas entre vários países vizinhos. Essa construção, para além do propósito bélico, tem igualmente a intenção de reclamar águas de zona económica exclusiva, que nessa área são consideravelmente abastadas em derivados do petróleo e metais raros. Facilmente – mas infelizmente – podemos apontar outros casos em que uma potência tenta usurpar vários recursos de outro país. A zona do golfo Pérsico é um claro exemplo.

 

No entanto os recursos da Terra são finitos. Nós, raça humana, não podemos sugar tudo ao planeta para sempre, embora seja isto que muitos de nós estão nitidamente a tentar fazer. Para além de ser injuntivo uma melhor gestão do que temos disponível, é indispensável gerir o tempo que os nossos recursos vão estar disponíveis – temos de nos precaver hoje para a altura em que esses materiais vão desaparecer ou a sua extração se torne inviável.

 

Asteroides e Cometas – Uma Breve Introdução

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Se a composição dos vários cometas é relativamente similar, o mesmo não se passa com a constituição dos asteroides. Existem largas dezenas de famílias de asteroides. Essas classes estão organizadas por tipo de órbita e não por composição química. Por exemplo, para 2 asteroides da mesma categoria, com órbitas idênticas, um pode ter uma constituição de quase apenas carbono, e outro só de ferro. Portanto, para os membros de uma mesma família, não significa que tenham a mesma constituição química – simplesmente quer dizer que os seus parâmetros orbitais, exemplificativamente, são muito semelhantes.

Existem outros tipos de asteroides, e talvez sejam os menos conhecidos. Eles são designados como Trojans ou Troianos, situam-se nos pontos de Lagrange L4 e L5 num sistema de dois corpos. Atualmente sabe-se que há um asteroide Trojan no ponto L4 da Terra. Os pontos de Lagrange são os pontos num sistema gravitacional de dois corpos onde a força da gravidade anula a aceleração centípeta, ou seja, são pontos orbitais naturalmente estáveis.

 

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Pontos lagrange

 

Quanto aos cometas, esses são corpos solitários, remanescências da construção do sistema solar. Regularmente, os cometas têm origem no Cinturão de Kuiper, onde possuem uma órbita segura. Ocasionalmente devido a algum alinhamento planetário, estelar, ou possíveis choques entre esses corpos (KBO), são projetados velozmente para o interior do Sistema Solar. Ao se aproximarem do Sol, desenvolvem uma espécie de cauda, como resultado da interação do vento solar com a superfície do cometa. Este vento solar aquece a superfície iluminada, o que faz com que liberte gás e poeira para o espaço interplanetário.

Existem 3 famílias de cometas.

  1. Cometas periódicos: mantêm a mesma rota de x em x tempo.
  2. Cometas não periódicos: possuem órbitas parabólicas ou hiperbólicas, nas quais quase nunca retornam ao interior do sistema solar. Isto é, fazem somente uma passagem.
  3. E por último, cometas extintos: são os que de alguma forma impactaram contra algum corpo e/ou se desintegraram.

 

Asteroides e Cometas – Salvação da humanidade?

Como já não é novidade para ninguém, apesar de alguns ainda simularem surpresa ou ignorância intencional quanto a este assunto, num futuro breve, os recursos do planeta Terra vão escassear. Os recursos existentes no nosso Sistema solar exigem uma poupança sensata, a mesma de que o nosso planeta necessita – sublinhe-se: sensata. Se é para deslizar pela ganancia habitual, o melhor é nem sair da Terra, arruinar vários astros num sistema planetário por uma estupidez assim seria ridículo.

Metais como ferro e titânio podem ser correntemente encontrados em asteroides. Além da facilidade de os encontrar, poupa desgaste à Terra, pois a mineração deste tipo de materiais causa impactos tremendos no meio ambiente – quer a nível local como consequência da própria exploração, quer a nível de purificação e tratamento do metal extraído e respetiva emissão de poluentes.

A água é um recurso passível de ser igualmente obtido em asteroides e cometas, podendo ser utilizado por colónias humanas como método de hidratação ao utilizar o oxigénio da água como ar respirável ou combustível associadamente ao hidrogénio.

Mas podemos ir para além da mera mineração espacial, sendo mais criativos, aproveitando o que os asteroides podem fazer por nós. Como? Podemos utilizá-los como naves para marear pelo Espaço. Por ser difícil produzir um campo magnético numa nave capaz de nos proteger da radiação, um asteroide com alguma dimensão poderia albergar um número considerável de pessoas numa área subterrânea.

 

O que fazer então?

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O futuro vem de facto com a opção inclusa de mineração de asteroides, e os primeiros a serem explorados serão, naturalmente, os mais próximos da Terra. Posteriormente poderíamos recorrer aos que se situam no cinturão de asteroides e até mesmo aos presentes na nuvem de Ort. Se é demais óbvio que petróleo e gás não podem ser encontrados em asteroides, os materiais acima transcritos são relativamente fáceis de encontrar. De qualquer modo, já tivemos experiência mais do que suficiente no que a depender de energia de plantas mortas diz respeito.

Recentemente o congresso dos EUA aprovou uma lei que abre a porta à mineração extraterrestre. Será o primeiro passo para que empresas privadas equacionem a rentabilidade dessa exploração. Seguramente nos próximos anos vamos assistir ao aumento de missões a asteroides – a razão é avaliar a rentabilidade dos mesmos para a mineração.

 

Primeira fase

Inicialmente estas missões de mineração vão ser totalmente automáticas, isto é, sem a presença humana. Serão enviadas diversas sondas de mineração para a superfície dos asteroides a fim de extrair os materiais e enviá-los para cá.

Segunda fase

Uma segunda fase vai corresponder à exploração inteligente, além de se procurar os materiais raros, a procura vai englobar analogamente água (que nos asteroides se encontra no estado sólido). Primeiramente a presença de água nos asteroides vai permitir estender o tempo de vida útil das sondas de exploração, visto que o H2O pode ser dissociado em Hidrogénio e Oxigénio, servindo o Hidrogénio de combustível de modo a possibilitar mais missões a mais asteroides.

 

Terceira fase

Numa terceira fase, esta exploração poderá abrir portas aos primeiros mineiros espaciais. Nesta etapa a presença humana pode representar maior rentabilidade a todo o processo. Sobretudo neste estádio, a existência de H2O e O2 vai ser determinante para a vida dos humanos nessa tarefa além-Terra.

 

Quarta fase

Numa quarta fase, como já apontado, podemos mesmo até utilizar os asteroides como naves para viajar até à periferia do Sistema Solar. Uma simples vela solar ou até mesmo motores foguete, poderão propulsionar os asteroides para fora da sua órbita a fim de realizar viagem.

 

Mais humanidade. Menos devastação, menos egocentrismo.

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O nosso Sistema Solar é seriamente rico. No entanto, para o sucesso de um empreendimento desta dimensão, temos de o fazer como Humanidade, e não como um país específico. A nossa perspetiva dos asteroides tem os fazer corresponder a uma fonte de poupança dos recursos existentes no planeta Terra. É realmente fácil afirmar que nenhuma outra espécie no planeta usufrui desses materiais, levando-nos portanto a sentir o direito de os poder retirar da Natureza – contudo os métodos para sua remoção do meio ambiente podem originar a sua própria destruição, quer da fauna, quer da flora. E se ambicionamos ser uma espécie consciente e preocupada com a preservação do nosso planeta, o passo seguinte é a mineração dos asteroides e, quem sabe, de outros planetas.

Não obstante é fundamental a elaboração de regulamentação adequada a toda esta atividade, aprendendo com os erros cometidos, e notadamente encarar este novo projeto como uma empresa de nações unidas, ao contrário de uma iniciativa da empresa X ou do país Y.

Com o decorrer do tempo, evoluímos de um período geocêntrico, para o heliocêntrico, para agora nos encontrarmos todos encalhados no egocêntrico. Para a sobrevivência da raça humana na Terra, para que as próximas gerações dos nossos filhos vivam com qualidade neste planeta, é capital aprender a respeitar e administrar eficientemente os recursos que a Terra nos dá. Geridos, distribuídos e respeitados com respeito e moderação, os recursos da Terra são suficientes para nós e até para os aumentos demográficos que se têm vindo a verificar no avançar das eras; o que o planeta não tem é como sustentar a vida equilibrada de todos quando uma classe desproporcionadamente sequiosa os sorve a um compasso que vai para além da mera egolatria.

 

E quando destruirmos mesmo todos os recursos da Terra, como vai ser? Vejam aqui

O cenário hipotético que se segue não é totalmente ficção. As atuais tensões políticas e militares no Médio Oriente e no mar da China podem levar a um conflito que facilmente se pode descontrolar.

A ter igualmente em conta os muitos e recentes avisos de toda a comunidade científica sobre o aquecimento global estar fora de controlo (a não ser que metas mais ambiciosas se tomem), os quais estão a ser postos de lado.

Temos de ter consciência, principalmente a nível político, que somos todos a mesma espécie: a vontade e o bem-estar de todos deve estar acima da vontade de um punhado de indivíduos ou empresas. Se é deixar de utilizar combustíveis fosseis que temos de fazer, nem que seja de um dia para o outro, de modo a salvar o planeta para os nossos filhos, então é isso que vamos fazer. O que não podemos é desviar o olhar e esperar que as coisas se resolvam com o tempo – o tempo, neste caso e letargicamente, só vai fazer com que tudo piore. além de que tempo é coisa que não temos, temos é de tomar medidas JÁ.

 

Luís Filipe Santos; Paula C Costa

Um comentário Adicione o seu

  1. Um fator importante a ser considerado na selecao de futuros alvos para a mineracao, e a economia orbital, e preciso antes de tudo identificar quais asteroides sao ricos em recursos.

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