Missão: mineração salvamento

22/04/2049…

Depois de um grande choque energético que desencadeou uma estrondosa guerra global, na qual maioritariamente quase todos os recursos foram subtraídos ao planeta sem a mínima sensibilidade ecológica, cientistas e ativistas fazem-nos um último apelo, alertando para o fatídica sentença: se já a maior fatia de recursos foi esgotada sem piedade, a humanidade extinguir-se-á obviamente antes do final do século. Sem alternativa, sem escolha, sem saída.

Como consequência da guerra massiva, as grandes cidades estão destruídas, das pequenas aldeias restam sombras moribundas de um passado assassinado e habitantes com pouca vida e sem esperança. Existem zonas radioativas em quase todos os países e grande parte da população mundial não tem acesso a água limpa, nem a comida orgânica. Não existem cuidados médicos, nem santuários para as poucas pessoas que não padecem ainda de doenças resultantes do que nós fizemos a nós mesmos.

 

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Se outrora  a esperança média de vida ultrapassava os 80 anos de idade, hoje dificilmente alcança os 40.

O dia 22 de abril não foi escolhido por mero acaso. É o dia da Terra. E talvez a última oportunidade para a salvar e aos seus habitantes. O primeiro passo – e talvez o mais importante – está dado. Um compromisso sério e digno de todas as nações.

Neste momento os primeiros 20 mineiros espaciais encontram-se em órbita baixa prontos para seguir para a cintura de asteroides. A nave que os transporta chama-se “Hope”, como se da última esperança se tratasse. Talvez assim seja na verdade… Vão demorar cerca de 3 meses a chegar à cintura de asteroides, e depois de vários anos a enviar sondas automáticas de prospeção, chegou enfim o momento de enviar os primeiros humanos. O destino é conhecido há vários anos, tendo sido planeado por aqueles que se abstiveram da guerra, tendo-se dedicando-se ao trabalho árduo, sensato e altruísta, permanentemente abrigados de interesses corriqueiros e abrasivos: os mineiros vão ficar baseados no asteroide 2022T3J, composto essencialmente por ferro e titânio. Lá vão encontrar o seu habitat subterrâneo já montado por sondas automáticas. O foco desta exploração concentra-se nos asteroides próximos, que são constituídos basilarmente por água. Essa água, sendo enviada para a Terra, poderá hidratar cerca de 10 mil pessoas por dia, e quando todos os processos estiverem a funcionar a 100%, esse numero poderá subir a 1 milhão. O suficiente para nós enquanto não conseguirmos voltar a purificar a água existente na Terra.

Futuramente, mais mineiros vão fazer prospeção de metais essenciais à reconstrução de muitas infraestruturas terrestres, planeia-se mesmo a exploração da zona KBO – a verdadeira fonte da riqueza do Sistema solar. Então sim, seríamos autossuficientes no que aos recursos respeita e, como resultado, pouparíamos a Terra de ser esventrada como fizemos até aqui nas últimas décadas, apesar de tantos tantos alertas, tantos movimentos, tantos apelos, e tantas medidas ambientais –  todos os quais ignorados pela maior parte da nós. De igual modo, o nosso planeta ficaria finalmente a salvo da poluição inerente ao processo de mineração e purificação de materiais.

Talvez aprendamos assim a ser uma espécie verdadeiramente espacial. Talvez agora, depois de quase nos autoextinguirmos e estarmos ainda sobre a corda bamba da cauterização, aprendamos  que o planeta é um ser vivo, como nós, precisando de ser cuidado e respeitado como tal.

 

Luís Filipe Santos; Paula C Costa

 

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