Mitos de Física

 

Depois da crónica que desmistificava algumas ideias erradamente concebidas sobre Astronomia, vamos atrever-nos mais um pouco pelo universo dos preconceitos científicos. Caros leitores: 5 mitos de Física.

Lá vamos nós.

 

  1. Os objetos mais pesados caem mais depressa que os mais leves

 

Segundo a lei dos corpos em queda, descoberta por Galileu Galilei, todos os corpos caem com uma aceleração constante, pois a força gravitacional impulsionada em todos eles é igual. Ao deixarmos cair uma folha de papel e um livro inteiro, o livro cai apenas em primeiro lugar porque oferece menos resistência aerodinâmica. Contudo tenho de salientar que só é possível observar esta lei em vácuo, onde não haverá interações do meio com a massa dos objetos, sendo assim possível que a gravidade inflija a sua influência por igual.

 

 

  1. A velocidade da luz (c) é constante, sendo sempre 300 000 km/s 

 feixe de luz

 

A velocidade da luz é sempre aproximadamente 300 000 km/s no vácuo. Todavia há meios materiais em que o comportamento da luz difere, pois interage com a matéria aí existente. Por exemplo, no ar a velocidade da luz é inferior a esse número, e em materiais de maior densidade, como água ou vidro, a velocidade da luz pode reduzir até 70 a 60% de c. Ao atravessar atmosferas mais densas, a luz torna-se de igual modo mais lenta.

Contudo há um aspeto que é indiscutível: não é permitido exceder a velocidade da luz. Por outras palavras, não existe nada que seja mais rápido que a luz. E este sim é um facto incontornável.

 

  1. O Large Hadron Collider vai destruir a Terra com um buraco negro

 lhc

 

Claro que não vai. Os mini buracos negros, que são criados no LHC como resultado de colisões de protões a 99,99% da velocidade da luz em direções opostas, para além de ínfimos, tem uma existência limitada a uns 0,0000000000000000000000000001 de segundo. Não, nem dava tempo para dar uma corridinha ao WC como nos intervalos dos filmes, quanto mais engolir o planeta.

 

  1. Teletransporte

 

Quando se fala na alucinante hipótese de teletransportar alguém, não se trata de teletransportar na integralidade uma pessoa, por exemplo, para outro local, seja uma rua ali à frente ou para outra galáxia.

Na verdade, copiar-se-ia as propriedades físicas de alguém, destruindo-as simultaneamente, para depois serem materializadas noutro ponto qualquer.

Em resumo, um indivíduo teria de morrer para que depois alguém com a mesma informação genética nascesse noutro lado.

Esta recolocação drástica de pessoas ainda não é exequível, no entanto o teletransporte quântico já é possível.

 

  1. O Sol está estático no centro do sistema solar

 

Num sistema de dois corpos, em que um é significativamente maior que o outro, incorremos na perceção de que o menor orbita o maior. No entanto não é bem assim. O que realmente acontece é que ambos os corpos orbitam em torno do centro de massa comum. Tomemos como exemplo o sistema Terra – Lua, no qual ambos orbitam um centro comum de gravidade, que se localiza quase 2000 km abaixo da superfície terrestre. Como este centro de gravidade, ou baricentro, se situa no interior do planeta, leva à perceção de o satélite orbita o planeta.

Extrapolando para o caso do sistema solar, podemos aplicar o raciocínio supradito: também o Sol, os planetas, os asteroides, os cometas orbitam em torno do centro de gravidade comum. Este ponto não pode ser tão facilmente descrito como o do sistema Terra – Lua, porque a órbita da lua é aproximadamente circular e devido à quantidade de corpos existentes no Sistema solar. Em conclusão, quer os planetas quer o Sol orbitam em torno de um centro de gravidade comum que se pode localizar desde 0.05 a 1 raios solares.

 

Colaboração de Luís Filipe Santos

Originalmente publicado em Açoriano Oriental 

3 comentários Adicione o seu

  1. Se voce estiver em escuridao total no ponto mais frio do universo conhecido, o vacuo do espaco pode ser de menos de -270°C. Contudo, o fato e que Fermi estava questionando a viabilidade de se viajar atraves de estrelas- e nao a existencia real se extraterrestres.

  2. Juliédson diz:

    Olá, sou aluno de Física na Unifei e gostaria de fazer uma correção. Vocês escreveram “todos os corpos caem com uma aceleração constante, pois a força gravitacional impulsionada em todos eles é igual.” A justificativa para a queda dos corpos está errada. As forças que puxam os objetos para baixo (ou melhor, para o centro da Terra) SÃO DIFERENTES. São diferentes pois essa mesma força, pela Lei da Gravitação Universal de Newton, depende da Massa da Terra, da MASSA DO CORPO QUE CAI, da Constante Gravitacional e (essa força) decresce com o quadrado da distância entre os corpos em questão. Então as FORÇAS SÃO DIFERENTES para corpos de massas diferentes. Já a aceleração é a mesma, pois a aceleração g (na superfície terrestre) é dada por g = GM/R onde G é a constante gravitacional, M a massa da Terra e o raio da Terra. Como podemos notas, g NÃO DEPENDE da massa do corpo que, logo é igual para todos eles.

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Olá, Juliédson!
      Obrigada pela ajuda aí com a correção. 🙂

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