O menino que sonhava ter um dinossauro

Originalmente publicado no Açoriano Oriental de 21/12/15

Era uma vez um menino que sonhava ardentemente ter um dinossauro. O que, como já devem estar a imaginar, é uma coisa difícil de se arranjar nos tempos que correm. Dado que o menino via tantos dinossauros em tantos livros, convenceu-se apaixonadamente de que ia encontrar um. E por mais que a sua família lhe explicasse o quão difícil seria levar a cabo este seu projeto jurássico, o pequenino não estava de maneira nenhuma disposto a ceder.

Ah sim, o menino chama-se Joaquim – quase que me esquecia de vos dizer o nome dele, ups!

Continuemos. Como ninguém deliberava iniciativa de oferecer ao Joaquim um dino no Natal, ou em qualquer outra altura do ano, o menino viu-se na situação de ter de arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Assim sendo, enviou cuidadosamente dezenas e dezenas de cartas para associações, instituições, agremiações, governos, entidades, personalidades (incluindo o Pai Natal, no qual o rapaz depositava grande esperança!). Contudo a busca não foi positiva, ou não estavam na posse de dino algum, ou não podiam ceder nenhum ao menino. O seu coraçãozinho entristecia-se muito…

No entanto o Joaquim não baixou as mangas que tinha arregaçado dantes, não – jamais! O menino considerou que bastava de perder tempo com burocracias demoradas e sem proveito, decidindo desta forma ir para o terreno, na busca por um fóssil desses interessantes animais. Decisão tomada, equipou-se com ferramentas do papá adequadas à sua idade e foi para o quintal. Efetuou vários e diversos buracos no jardim: junto à laranjeira, à amendoeira, à nogueira, à videira… Durante dias e dias a fio, sem cessar, sem se resignar. Outra vez: junto à laranjeira, à amendoeira, à nogueira, à videira… E todos os dias assim continuava, motivado por uma determinação muito maior que ele.

– Amor pequeno, infelizmente não temos fosseis de dinos no quintal – explicava-lhe a mãe.

E o Joaquim o que é que fazia? Continuava a escavar buracos no jardim, junto à laranjeira, à amendoeira, à nogueira, à videira.

– Filho, vamos pensar noutra forma de arranjar um dino, sim? – sugeria o pai na derradeira tentativa de o convencer a parar.

Ao ouvir o pai, o pequeno explorador vacilou por um pouco… mas rapidamente pensou: “Nunca conseguimos um dinossauro doutra forma… Tem de ser assim!”

E continuou a? Claro, a fazer os buracos. Onde? Debaixo da laranjeira, da amendoeira, da nogueira, da videira.

Até que! Um dia, a pazinha vermelha do Joaquim embateu em qualquer coisa! O iminente paleontólogo ajoelhou-se e cavou delicadamente com as pequenas mãos para não danificar o artefacto. Depois de uns largos minutos, pôde comprovar as suas suspeitas mais felizes: tinha um fóssil de dino no seu próprio quintal! Correu até ao Youtube na busca de um vídeo que o ensinasse como desenterrar e montar um dinossauro sem o danificar, ao passo que convocou a mãe, o pai e o irmão para o ajudar na importante tarefa.

– Mãe, pai, mano, reúno-vos aqui hoje para vos comunicar que encontrei um dinossauro, e não foi um qualquer, mais precisamente um Tiranossauro Rex! – disse muito contente.

 

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A família aplaudiu e de grandes e cintilantes sorrisos nas faces, foram ajudar o Joaquim a concretizar o seu sonho. Em casa, montaram os ossos do Tiranossauro. O orgulho e a alegria do menino iluminavam toda a cidade e arredores! Todavia, o menino não pensou apenas em si, mas também noutros meninos que pudessem partilhar o seu gosto por esses grandes animais, e convidou-os a irem ver o T-Rex à sua moradia sempre que quisessem.

O Joaquim, a sua família e todos os outros meninos tiveram um lindo Natal e viveram felizes para sempre, como seria de esperar, pois é o que acontece quando temos os nossos sonhos realizados e ainda nos é possível partilhá-los com os outros.

 

 

 

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