O umbigo e o ambiente

Originalmente publicado em Açoriano Oriental

 

Atitudes autocentradas são pesarosamente demasiado comuns – começando em exemplos muito simples, quase considerados insignificantes, chegando até outros passíveis de originar transtornos permanentes. Os egocentrismos de maior relevo podem não ser tão recorrentes, todavia a quantidade avolumada dos pequenos será igualmente desfavorável, porque – sobretudo – o ambiente é o maior prejudicado.

Pensem na incandescente beata de cigarro que se atira ao chão (ou toda a carteira de cigarros) sem pensar no quanto suja ou em quem terá de a remover para limpar as ruas. Pensem nas embalagens de gelados que são saboreados ao volante, as quais são lançadas pela janela a fim de jamais sujar o carrinho. Pensem também nas outras embalagens alimentares atiradas ao chão – da cidade, deixadas na areia, arremessadas ao mar, sem pensar no quanto se entristecem as margens da lagoa de S. Brás ao deixar na natureza os restos de festas ambientalmente arrogantes. Pensem nas tantas (!) fitas de plástico – sublinho: plástico – de uma prova de (creio pelas marcas) de moto 4 que foram presunçosamente deixadas para trás, penduradas em tantas árvores do trilho da Rota da água e Janela do inferno, num momento em que ninguém se esquece dos jantares comemorativos que se seguem, mas esquecem-se rápida e facilmente do lixo de infligiram. Pensem nos sacos de plásticos que são usados descomedidamente sem por um segundo refletir no estrondoso impacto ambiental que tem esse material –pouco pensando no tempo alargado que demora a decompor-se, ou nos animais marinhos que morrem devido à negligência humana; pois não é imperativo que os sacos sejam pagos para os usarmos o menos possível. O mesmo sucede com as louças de plástico utilizadas impensadamente em festas com o objetivo de usar pouco e desperdiçar depressa – quando realmente deveríamos estar a reutilizar qualquer recurso o mais possível. Pensem na energia que deveria ser utilizada com sensatez constante – se não precisamos fundamentalmente de a usar, então não o façamos. Para alguns pode até não ser pertinente a conta no final do mês, contudo o ambiente não deveria ser penalizado por tal egoísmo. Por quê optar por ar condicionado num espaço em que uma janela aberta é uma opção saudável, prática, económica e amiga do ambiente? Por ser uma questão de moda, de prestígio, de “É assim que se faz, é assim que os outros fazem”? Para quê um carro poluente em zonas em que o verde e o oxigénio ainda predominam, ou para percorrer apenas uns quantos metros até ao trabalho ou a café?

 

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Lagoa do congro, S. Miguel, Açores

 

Quanto à água… sinto até dificuldade em encontrar uma boa descrição que patenteie com exatidão o que sinto quando vejo desperdícios de água. Por quê gastar água? E por quê tanto desperdício de plástico e financeiro na compra de garrafas desta bebida quando a que jorra da torneira é a melhor?

E tantos outros exemplos do género por aí andam a corromper o único planeta que temos para viver – o qual não gira em redor do nosso umbigo pouco ambientalista. Porque a nossa verdadeira casa não são as quatro ou mais paredes pelas quais pagamos mensalmente, mas sim a Terra.

 

 

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