Terraformação de Marte e o futuro da Terra

 

Como já vimos num artigo anterior (cliquem aqui para ver), infelizmente a Terra tem os dias contados e num desses dias limitadamente calendarizados teremos de pensar seriamente em nos mudarmos para outro planeta. Não obstante a imperatividade dessa mudança, a obrigação de todos nós agora não é apenas considerar os aspetos relativos a ela, mais do que isso: devemo-nos comprometer com o salvamento da Terra. Os seus sinais de alarme e pedidos gritantes de ajuda estão por todo o lado, o maior problema somos nós e o nosso hábil talento para o ignorar.

 

Como já sabemos mas nunca é demais relembrar, em 5 mil milhões de anos o sol irá tornar-se numa supergigante vermelha, a qual – devido à expansão estelar inerente a esse processo – provavelmente irá tragar a Terra por completo. Contudo muito antes disso, o nosso planeta irá tornar-se um deserto árido e inanimado devido às altas temperaturas, os oceanos irão evaporar, embrenhando-se na atmosfera, tornando o planeta numa estufa constante e insuportável, totalmente incompatível com a vida que conhecemos hoje.

 

Terraformar Marte por inevitabilidade ou irresponsabilidade?

Infelizmente ainda tenho notícias piores para vos dar, mas essenciais para que moldemos o nosso rumo, facultando assim um final feliz para os nossos filhos e para o próprio planeta. As possibilidades de a nossa casa se tornar no deserto extinto acima descrito em breve por causa das nossas próprias ações são elevadas. Muito elevadas.

Se mantivermos a mesma atitude que normalmente empreendemos, ou seja não fazer nada, devido ao aquecimento global, a superfície da Terra irá sofrer uma alomorfia irreconhecível: países inteiros irão desaparecer, sendo o Kiribati o primeiro. Em 1999, 2 pequenas ilhas deste país foram já consumidas pelo mar. Sei que há quem conteste a veracidade deste fenómeno, mas esta é uma certeza que não deveria ser questionada, pois quando nos apercebermos do que fizemos, será tarde demais para reverter os efeitos.

 

KiribatiMap

 

Como irá ser?

Num futuro próximo, em cerca de 100 anos, as tempestades serão muito longas, as secas descomunais e as chuvas de porte apocalíptico. Tudo acontecerá em montantes desequilibrados para o que o planeta e nós somos capazes de suportar. E gostaria que retivessem em memória acessível o que vos vou contar agora: os primeiros refugiados ecológicos já existem. No futuro existirão milhões deles – talvez os nossos filhos se encontrem entre eles – se ficarmos a assistir à devastação ambiental de braços cruzados.

Em 200 anos, a zona centro de Portugal terá este aspeto:

pt

 

Para além da problemática ambiental, há sempre mais uma ameaça suspensa sobre as nossas cabeças: a de uma nova guerra global. As nossas atitudes encontram-se regularmente no limite da navalha, devíamos, por exemplo, ter cuidado com os aviões que mandamos abater, por vezes os meios não justificam os fins, os quais podem ser desproporcionados e irrevogáveis. Considerando assim o nosso destino precário e a nossas atitudes arriscadas, deveríamos procurar uma segunda casa, um segundo planeta que possamos habitar, onde possamos coexistir de uma forma inteiramente diferente da que a fazemos hoje: com respeito pelo próximo, e por todas as formas de vida e de existência.

Um dos primeiros candidatos a albergar a raça humana é o nosso vizinho Marte. Com a mais recente das descobertas, o futuro de uma terraformação de Marte torna-se realmente promissor e realizável. O ato de terraformar consiste em assemelhar outro corpo celeste à imagem do nosso, todavia espero bem que a geração que atinja essa proeza científica e de engenharia não recrie uma cópia exata de nós, levando somente o que temos de melhor nas nossas qualidades.

 

E para terraformar Marte o que é que precisamos de fazer?

A duração de um dia em Marte, a gravidade e a inclinação orbital são aproximadamente iguais às terrestres, todavia atualmente possui uma atmosfera bastante rarefeita quando comparada à nossa, composta maioritariamente por CO2.

Alguns cientistas afirmam que 1 século seria suficiente para criar espaços de água no planeta, com vegetação a brotar nas margens a qual, posteriormente, estender-se-ia pelo planeta. Para iniciar a terraformação, o primeiro passo é aquecer o planeta, para tal temos que fazer em Marte o que com resultados de excelência temos feito nas últimas décadas no nosso planeta: POLUIR. Sim, leram bem, enviar toneladas de CO2 para a atmosfera marciana de forma a aumentar quer a densidade, quer a temperatura do planeta.

Assim descongelamos a água das calotas polares e do subsolo marciano, metamorfoseando o estéril planeta numa bela esfera azul com tons enrubescidos. Quando a água líquida for abundante, plantamos então árvores geneticamente modificadas e fazemos florescer algas de genética igualmente alterada a fim de transformar o CO2 em O2. Algumas centenas de anos mais tarde, quando a quantidade de O2 e nitrogénio fosse a adequada, os primeiros seres humanos e animais poderiam ser transmovidos para Marte, a caminho de uma vida permanente livre da preocupação e do cuidado com a utilização de um fato que recrie as condições às quais estamos vinculados na Terra. A gravidade corresponde a 1/3 da terrestre, sendo facilmente adaptável aos humanos de 2ª geração.

 

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Quem sabe se Marte será assim?

 

Problemas

Este processo pode ser efetuado com a tecnologia hoje existente e os cálculos sugerem que a poluição desastrosa que causamos aqui seria a suficiente para aquecer Marte até ao ponto que se pretende. Mas de grande complexidade é o transporte interplanetário de todo o material poluente/poluidor, não é algo que se consiga completar de modo rápido ou fácil. Logo, se planearmos viver de forma sustentável em Marte, temos de começar a prepará-lo hoje.

 

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Além deste planeta estar demasiado próximo da cintura de asteroides e não ter lua para formar marés, a sua  excentricidade orbital é maior que a terrestre: o ano marciano é notavelmente mais longo, minando grandes diferenças entre o verão e inverno, gerando possantes tempestades, fomentadas agora por uma atmosfera mais densa. Identicamente, devido à baixa gravidade do planeta e ao vento solar, o equilíbrio atmosférico é realmente frágil: Marte perde constantemente para o Espaço parte da sua atmosfera, as gerações de humanos além-fronteiras teriam de monitorizar e cuidar da atmosfera pertinaz e delicadamente, a fim de repor constantemente a quantidade de gases perdidos.

 

E a ética disto tudo?

O mote vivencial permanente desses povos teria indiscutivelmente de estar sempre presente: Não existe margem para erros sob pena do esforço de milénios ser esbanjado em algumas décadas. Como nós fazemos por aqui.

Se nós começássemos agora a praticar uma consciência ativa de cuidado e respeito para com o equilíbrio da Terra e se conseguíssemos transmitir esse conhecimento como regra basilar de educação humanitária e ambiental já aos nossos filhos, talvez assim contribuiríamos para que se precavesse Marte e os seus habitantes de todas as nossas más decisões e inconsistências. Aliás, talvez assim não tenhamos de procurar outro planeta tão cedo, talvez assim possamos viver todos de forma pacífica e tolerante aqui mesmo, na nossa Terra.

Respondendo à questão inicial,  O planeta tem recursos para suprir de forma igualitária todos os habitantes da Terra, o que não tem é recursos para os desmesurados caprichos de uma pequena parte. Por favor, vamos salvar o nosso planeta.

por Paula C Costa e Luís Filipe Santos

4 comentários Adicione o seu

  1. Fernando Góis diz:

    Parabéns ao artigo desenvolvido.
    Terraformar Marte? Sem dúvida que concordamos. Previsões para tal: não prevejo nada disso antes de 2050. Razões: não existe ainda tecnologia á altura de assegurar viagens com segurança, conforto e transporte de meios e materiais suficientes para ir até Marte e nele pousar sem perturbações e sem colocar vidas humanas em causa, muito menos para instalar as condições mínimas de sobrevivência na sua superfície. Por outro lado, a sua criação nunca demorará seguramente mais de 10/15 anos. No fim, a pergunta que se coloca é esta: se os astrónomos e cientistas consideram que a futura fase de expansão do sol poderá atingir a nossa casa (Terra) e inclusive pressupõem até distâncias muito próximas do planeta vermelho, valerá a pena investir na terraformação de Marte? A reflectir!

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Olá, Fernando, obrigada pelo comentário.
      Marte é um bom candidato no caso de não podermos permanecer na Terra devido à destruição que nós mesmos causamos, a qual pode forçar a antecipação da necessidade de uma nova moradia planetária – embora possivelmente não faça justiça à nossa arrogância.
      De igual modo, se tivéssemos já tecnologia para terraformar algum planeta, Marte seria a primeira escolha, claramente.
      A referência à transformação do Sol evidencia a necessidade absoluta de nos mudarmos um dia.

  2. Antero diz:

    Concordo plenamente.
    Quer os avanços tecnológicos que dispomos nos permitam tornar Marte habitável, ou até outro qualquer, ou não,preservar o nosso planeta deve ser a primeira e mais importante missão de cada um de nós.
    As consequências dos nossos atos estão mais perto de se concretizaram do que nunca e serão já os nossos filhos e netos a sofrer por nossa culpa.

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Temos de sair desta inércia da negação, admitir os erros e trabalhar ativamente em soluções.

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