Vida extraterrestre: como será?

 

Vida extraterrestre, quem acredita que há, e quem suspeita que não? Como serão os ETs?

E bastam estas perguntas para ligar a ignição de um debate passível de durar mais tempo que os coelhinhos da Duracell. Eu sei que os vossos argumentos alienígenas já estão a despertar e a vossa imaginação está pronta para liderar o que se segue. Assim sendo, vamos dar uma ajudinha.

 

Ora bem, falemos então de extraterrestres, não de homenzinhos verdes, mas sim de vida não inteligente – por enquanto.

Logo à cabeça, sentimos a obrigação de vos munir com informação respeitante ao funcionamento da vida na Terra, a qual se origina a partir de compostos químicos baseados num determinado elemento. Desde as mais pequenas e invisíveis bactérias até à titanesca baleia azul, toda a vida neste planeta é baseada no carbono. Estes químicos orgânicos são moléculas complexas designadas por proteínas, açúcares ou ácidos. A possibilidade numérica de existência desses químicos orgânicos ronda os milhares, mas aqui no nosso planeta apenas um repertório limitado é utilizado.

Há diferentes tipos de carbono, o escolhido pela natureza para conceber vida é o carbono-12, pois consome menos energia. Há sensatez desde sempre a gerir os recursos com inteligência. Nós humanos é que não somos capazes de o fazer.

É importante lembrar que a vida noutros planetas poderá basear-se num elemento diferente, que não o carbono. Aliás, a possibilidade de encontrar entidades vivas sob a forma de células com genes feitos a partir do ADN e cheios de proteínas (como nós aqui na Terra) é mínima. E é deste modo que nasce a profissão do exobiólogo.

Definição de exobiólogos: aquele pessoal que anda à caça de qualquer coisa viva fora deste planeta, seja ela qual for, seja ela como for.

Agora que esclarecemos a história do carbono, sigamos viagem. É facto, e certamente já notaram, que a vida se adapta às condições mais hostis que encontramos no nosso planeta. Mitifica-se que a vida é bastante frágil, todavia a sua essência base é verdadeiramente resistente. Atentemos numas pequenas e interessantes criaturas: os Tardígrados.

tardígrados
Tardígrados

Só para contextualizar, os Tardígrados são pequenos animais microscópicos, que vivem em finas películas de água. Para o nosso tema, são os fatores seguintes que importam: estes seres resistiram às últimas 5 extinções em massa e conseguem sobreviver no vácuo do espaço sem qualquer proteção. Nós somos todos umas meninas de coro comparados com eles.

Estando os exemplos citados, vamos libertar a imaginação racional e tentar conceber a evolução de seres em planetas extrassolares, consoante as condições físicas e químicas desses mundos, abrigando vida cuja base é a nossa: o carbono.

 

Planetas dentro da zona de habitabilidade

Por enquanto, vamos começar por considerar apenas planetas dentro da zona de habitabilidade, isto é, a distância entre determinado corpo celeste e a sua estrela mãe, sendo essa favorável à existência de água no estado líquido. A procura de água para nós é basilar, pois todos os géneros de vida que conhecemos são à base de água, logo sabemos com segurança que se encontrarmos água, podemos identificar vida. Para além disso, a água líquida é fundamental para a existência de vida, funcionando como catalisador e solvente para que a vida possa prosperar.

A zona de habitabilidade no nosso sistema solar abrange os planetas Terra e Marte. Noutros sistemas, a localização do planeta candidato a vida poderá variar, consoante a energia recebida da estrela mãe. Recebendo mais energia, poderá estar mais longe, o mesmo funciona ao contrário.

Ora por exemplo, vamos iniciar o exercício mental exoplanetário começando por considerar a gravidade.

 

Planeta na zona orbital habitável com gravidade superior à da Terra

Como seria a evolução dos seres vivos?

A elevada gravidade não permitiria o desenvolvimento de vegetação tão alta como a do planeta Terra e os animais seriam mais baixos e com músculos muito mais poderosos que os dos existentes aqui. Provavelmente não haveriam aves, ou quaisquer animais voadores, pois as estruturas ósseas dessas aves teriam de ser de tal maneira reforçadas que se tornariam demasiado pesadas para voar ou mesmo planar. Os animais teriam vários conjuntos de patas para evitar perder o equilíbrio e promover melhor locomoção. Ficar virado de barriga para cima poderia significar a diferença entre a vida e a morte.

 

Façamos agora o exercício inverso: planeta na zona orbital habitável com gravidade inferior à da Terra

Num planeta assim, a vegetação seria muito mais alta, bem como a maioria dos seus animais.

O crescimento muscular seria inferior ao terrestre. Aliás sob a nossa perspetiva, esse seres viventes parecer-nos-iam todos muito magros e bastante altos. A maioria dos habitantes deste hipotético planeta seria capaz de voar, ou pelo menos de planar durante largas distâncias, pois a fraca gravidade assim o permitiria.

Recordem, por exemplo, a performance do Neil Armstrong na lua, que apesar das dezenas de kg de equipamento que tinha em cima de si, ainda assim era capaz de enormes saltos. O funcionamento, por analogia lunar, seria esse.

 

moonwalk

 

Planeta da zona orbital habitável com mais radiação luminosa que a Terra

Vamos aventurarmo-nos numa fantasia diferente agora, idealizemos um planeta que recebe várias vezes mais radiação luminosa que o nosso, partindo do pressuposto que o comprimento de onda da sua estrela é próximo ao da nossa.

Num mundo assim, a vegetação seria menos verde e teria menos folhas, pois não seria necessária tanta clorofila, ou meios para gerar mais energia, dado que a recebe da estrela. A vegetação seria curta: ao haver mais luminosidade disponível, não há já a necessidade de crescer tanto. Os animais desse planeta luminoso teriam olhos mais pequenos, porquanto o tamanho dos olhos é inversamente proporcional à quantidade de luz disponível.

Em planetas onde existe menos luz, a vegetação seria muito mais verde, mais alta e teria mais folhas, comparativamente às plantinhas que temos por cá. Os olhos dos animais seriam muito maiores do que a maioria dos nossos cá por casa, e há muitos mais animais a usar a ecolocalização, como fazem os cetáceos e os morcegos, para navegar e caçar.

 

Planetas fora da zona da habitabilidade

E porque nós somos gajos deveras aventureiros, vamos sair da zona de conforto cósmico.

Já chegámos, por que afinal não é só a luz que é rapidíssima, nós também. Vistam os casacos, estamos numa lua gelada nos confins do nosso sistema solar a orbitar um planeta gigante gasoso – Júpiter.

Localização atual: Europa.

Devido às baixas temperaturas (-163°C), a superfície desta lua é completamente gelada, esta camada gélida tem entre 10 a 30 km de espessura. À primeira vista, é um local inóspito à existência de vida.

No entanto, originado por energia geotérmica ou por fortes marés gravitacionais, que geram calor – por baixo desta pista de gelo existe um imenso oceano de água líquida. Como devem calcular, a fonte principal de energia não advém do sol, mas sim minerais obtidos das fontes hidrotermais ou que poderão ser produzidos pelas já referidas marés gravíticas.

Assim sendo, a forma de vida primordial consistiria em bactérias semelhantes às existentes na Terra, cujo alimento se encontra perto das fontes hidrotermais. Como consequência desta existência, é possível que se desenvolva uma pequena cadeia alimentar, com outros seres que se sustentam das mencionadas bactérias. Os animais aqui existentes não têm nem necessitam de olhos, confiando na ecolocalização como sentido primordial. É possível a existência de animais bioluminescentes, aspeto que pode atrair outros seres com olhos rudimentares – estes últimos avistam a bioluminescência, são atraídos por ela e consequentemente caçados.

Este local – no nosso sistema solar- aparenta ser um forte candidato à presença de outros géneros de vida. Apesar de dissemelhante, vida é vida – é eternamente fascinante a sua presença, as suas díspares formas, a evolução e capacidade de adaptação. De sublinhar que a lua Europa contém mais água líquida que a existente na Terra, o que se poderá traduzir de futuro num recurso alternativo quando dermos cabo da que temos por cá. Prepare-se pois as contas da água nessa altura não vão ser nada baratas.

Acreditamos ser o preço a pagar por termos gasto os nossos recursos absurdamente e muitas vezes sem respeito pelo ambiente.

 

Quanto à vida inteligente extraterrestre, sem querer entrar em controvérsias ou especulações mediáticas, é seguro que se alguma vez formos invadidos, o desfecho não será facilmente equiparado ao apresentado por Hollywood. Não confiem nem magiquem uma comparação entre David e Golias, na qual nós somos os pequeninos grandes heróis universais.

Tomemos como exemplo uma civilização 1 milhão de anos mais avançada que nós, o que não é muito em tempo cósmico, mas quanto a avanços tecnológicos é decisivo. Agora apontem: há 20 anos os computadores ocupavam edifícios inteiros, há pouco mais de 100 anos ainda desconhecíamos o avião. Se as diferenças entre 20 anos, 100 anos são assim tão profundas, imaginem o que significará 1 milhão de anos. Não teríamos de facto a mínima hipótese.

Têm-se deparado com aqueles seres pequenitos e insignificantes, incomodativos mesmo, como formigas, moscas, mosquitos, melgas, outros rastejantes minúsculos que não têm utilidade nenhuma para nós? O que é que fazem? Passam por cima, abalroam, espezinham, calcam e recuperam o espaço que eles tomaram imerecidamente. Pois.

Resta-nos a residual esperança, que pelo menos aqui na Terra é a última a morrer, que esses povos tenham evoluído não só tecnologicamente, mas também quanto a maturidade e respeito, de forma que possam ser reverentes para com o nosso espaço, a nossa biodiversidade, o nosso ambiente e ecossistema. Embora lhes possa parecer injusto pedir tudo isso quando não o fazemos por nós mesmos.

Para já, continuemos a ouvir as estrelas e a procurar vida rudimentar no nosso sistema solar. Porque consideramos seriamente que a maior parte de nós humanos pode não estar preparada para sequer aceitar a existência de algas luminosas, quanto mais de seres muito muito à frente.

 

Autoria: Paula C Costa; Luís Filipe Santos

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14 comentários Adicione o seu

  1. carmon diz:

    Continue assim ajudando com esse bom tópico, adorei o seu tópico.
    Você planeja fazer outro tópico sobre esse mesmo tema?
    Já está divulgado e recomendado! Bom trabalho!

  2. Vida extraterrestre: como será? – Oh não Conheça a mensagem de Ashtar Sheran, Comandante da Frota de Extraterrestres, que foi casualmente recebida por brasileiros. Acesse https://goo.gl/4blGrc e Saiba Mais!

  3. Joana diz:

    Quero mais…

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Em breve, Joana, em breve. 🙂
      Obrigada!

  4. Alberto diz:

    Uaaauuuuu…eu e o meu filho ficamos deliciados.

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Ainda bem, Alberto! Ficamos felizes que tenham gostado.

  5. Rui Tavares diz:

    Ficou pouco ou nada por dizer, e sem nunca entrar em matérias especulativas e com elevado grau de acuidade científica.
    Muito bem.

    Talvez faltasse falar de Marte, do seu passado e do seu potencial para albergar vida.
    Também podia falar dos planetas que tem sempre a mesma face voltada para a sua estrela, dos planetas inteiramente cobertos por água e por solo, e talvez imaginar a vida também nos gigantes gasosos e em planetas errantes.

    ahhhh, este artigo lê-se muito rápido, escreve um livro que eu compro.

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Ainda bem que gostou, estamos muito satisfeitos!

    2. Andreia diz:

      Rui, ficou também por fazer um exercício com campos magnéticos, com densidade atmosférica, com a temperatura, e muitas outras variáveis que podia transformar este post num artigo imenso, e portanto descontextualizar por completo o objectivo que é por si só apelar à imaginação de todos nós.

      Parabéns pelo post, está muito bom e cientificamente correcto. E se alguma vez avançar para livro eu também compro.

    3. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Muito obrigada, Andreia.

  6. Íris diz:

    Eu acho que o maior sinal da existência de vida inteligente no espaço é o facto de eles ainda não nos terem contactado!

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Sinal de inteligência e bom senso.

  7. Perigeu diz:

    Texto muito bem escrito e bastante esclarecedor.
    Um texto que todos os apaixonados pelos astros e homenzinhos verdes deviam ler.

    1. Paula C Costa Paula C Costa diz:

      Os autores agradecem, e esperam que a sua leitura seja útil, interessante e algo divertida.

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